Práticas Artísticas, Curatoriais e Editoriais – Atuação Institucional

Há cerca de quatro décadas, minha atuação articula criação artística, curadoria e edição como práticas indissociáveis, voltadas à investigação das relações entre arte, natureza e cultura contemporânea. Nesse percurso, realizei, como artista e curador institucional, exposições em contextos públicos e privados, editei publicações fine art de alcance internacional que reuniram artistas brasileiros e estrangeiros e desenvolvi projetos de arte integrados à estratégia cultural de instituições, sempre orientado pela busca permanente do estado da arte.

Mostra Vagalumes 21, curadoria de Sergio Mauricio Manon, Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro. Artista, curador e editor do projeto. Livro fine art. Público superior a 10 mil visitantes.

Santa Art Magazine
Estado de arte

Capas da Santa Art Magazine

Ao longo de sete anos, lancei dez edições da Santa Art Magazine, consolidando um projeto editorial voltado à investigação do estado da arte contemporânea. Nesse período, a publicação apresentou cerca de 150 artistas do Brasil e do exterior, por meio de minha curadoria.

A publicação teve circulação em importantes feiras de arte, como Arte/Rio e SP–Arte, no Brasil, além de presença em eventos internacionais. Em 2013, a Santa Art Magazine foi reconhecida com o Benny Award, em Chicago, na categoria Fine Arts, como a melhor publicação do mundo – um feito inédito para uma revista brasileira nesse segmento.

Editada como objeto fine art, a Santa passou a integrar acervos particulares e institucionais, bibliotecas e coleções no Brasil e em outros países, sendo hoje considerada uma referência editorial para artistas, curadores e pesquisadores.

Depoimentos de artistas e de personalidades do mundo das artes sobre a Santa Art Magazine

Vagalumes 21 – Publicação Fine Art

Vagalumes 21 é uma publicação fine art bilíngue que editei, reunindo obras de 21 artistas visuais de diferentes gerações e regiões do Brasil. O projeto articula diversidade de técnicas, linguagens e poéticas, compondo um recorte consistente da produção artística brasileira das últimas duas décadas.

A publicação apresenta cerca de 80 obras em grande formato, distribuídas ao longo de 184 páginas, com trabalhos de artistas como Jaider Esbell, Pedro Varela, Marcos Prado, Anderson AC, Danielle Carcav, Walmor Corrêa, entre outros, além da minha própria participação como artista. O conjunto não se organiza por afinidades formais ou escolas, mas por tensões, contrastes e modos distintos de lidar com imagem, matéria e experiência.

O conceito curatorial parte da metáfora dos vagalumes. A publicação dialoga com reflexões desenvolvidas por autores como Pier Paolo Pasolini e Georges Didi-Huberman, em torno da sobrevivência da experiência e da imagem em contextos marcados por apagamentos simbólicos, excesso de ruído e empobrecimento do olhar. Nesse sentido, Vagalumes 21 propõe a arte como campo atemporal de resistência sensível e como força poética capaz de transformar o mundo

A publicação foi concebida como um objeto editorial no qual curadoria, projeto gráfico e edição atuam de forma integrada. O livro assume a materialidade do papel, o ritmo da sequência visual e a qualidade gráfica como parte constitutiva da experiência de leitura, em sintonia com uma tradição de publicações fine art que trata o livro como espaço expositivo.

Vagalumes 21 foi lançada em 2021 e integra um conjunto de projetos editoriais que desenvolvo ao longo dos anos, nos quais edição, curadoria e prática artística se cruzam como formas complementares de construção de sentido no campo da arte contemporânea.

Projeto "Máquina do Mundo"

O projeto Máquina do Mundo marcou a inauguração dos espaços expositivos da Z42 Arte, sob a curadoria de Sergio Mauricio Manon. A exposição reuniu 22 artistas brasileiros e internacionais – entre eles Anthony Goicolea, Charlie White, Conrad Shawcross, Erwin Wurm, Henrique Oliveira, Leda Catunda, Walmor Corrêa e o próprio Manon – e afirmou desde o início a vocação institucional do empreendimento.

Desenvolvido ao longo de um processo de curadoria plena com duração de um ano e dois meses, o projeto transformou um imóvel histórico de 1.500 m² em um equipamento expositivo profissional, adequado à realização de grandes mostras. Nesse contexto, Manon atuou não apenas na concepção curatorial da exposição, mas também na estruturação do espaço e na normatização da identidade institucional e visual da Z42 Arte.

A exposição reuniu cerca de 40 obras provenientes de uma coleção privada, em diálogo com produções de artistas residentes. Inspirado no poema A Máquina do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade, em interlocução com Luís de Camões, o projeto propôs uma leitura crítica da arte contemporânea a partir de referências literárias e curatoriais. Cada obra foi acompanhada por epígrafes extraídas da fortuna crítica dos artistas, aprofundando a experiência de leitura e fruição.

O projeto teve ampla repercussão na mídia especializada e posicionou a Z42 Arte como um novo polo expositivo no cenário da arte contemporânea brasileira, destacando-se pela originalidade do modelo curatorial e pela qualidade institucional alcançada.

Arquitetura, curadoria e institucionalidade: a transformação de um imóvel histórico em equipamento expositivo.

Prática Artística

Minha produção artística parte da observação direta da natureza e de seus sistemas de organização, combinando pintura, desenho e pensamento visual. Ao longo das últimas décadas, esse trabalho se consolidou como uma investigação sobre percepção, inteligência natural e formas de conexão entre organismos, paisagem e experiência humana.

Nos últimos anos, desenvolvo a série Jardim das Sinapses, na qual a ideia de rede neural se torna um eixo central da pintura. As estruturas sinápticas do cérebro e os sistemas de comunicação presentes no mundo vegetal e animal operam como modelos formais e conceituais, articulando imagens que tratam da inteligência como fenômeno distribuído, relacional e vivo.

Minhas obras foram apresentadas em exposições individuais e coletivas, integrando importantes coleções no Brasil e no exterior. A prática artística não se apresenta de forma isolada, mas em diálogo direto com minha atuação curatorial e editorial, construindo contextos expositivos nos quais a obra se insere como experiência visual, espacial e sensível.

Publicação Internacional – Revista AÍNAS (Sardenha, Itália)

Minhas pinturas foram destaque na edição nº 13 da revista AÍNAS, publicação italiana dedicada à arte e à cultura contemporânea, editada na Sardenha. A edição apresentou minhas obras em capa, contracapa e em um ensaio visual de dez páginas, com ampla documentação do trabalho.

A capa da revista trouxe a pintura “Vera, vida e morte no jardim das máquinas desejantes” (2016), obra que integra um período de transição importante da minha pesquisa pictórica, no qual questões ligadas à percepção, aos sistemas vivos e às redes de comunicação da natureza passam a ocupar um lugar central.

A AÍNAS é uma revista de circulação internacional que parte de uma perspectiva regional para tratar de temas universais da arte contemporânea. Seu nome deriva de um provérbio popular sardo – “Is ainas faint is fainas” – que pode ser traduzido como “os instrumentos fazem os ofícios”, uma ideia que atravessa toda a linha editorial da publicação: a atenção ao fazer, ao processo e à construção material da obra.

O vídeo apresentado nesta página registra a publicação e o contexto editorial da revista, evidenciando a inserção do meu trabalho em um circuito internacional atento à pintura como linguagem ativa, crítica e sensível ao seu tempo.

“Como Vai Você, Geração 80?” Parque Lage, 1984

Em 1984, participei da exposição “Como Vai Você, Geração 80?”, realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro – mostra que se consolidou como um marco da arte contemporânea brasileira. O evento reuniu artistas que viriam a ocupar posição central na história e no mercado de arte do país, como Beatriz Milhazes, Daniel Senise, Leda Catunda, Leonilson, Luiz Zerbini, Nuno Ramos, entre outros.

Na ocasião, realizei a instalação “Avenida Chucrute, Copacabana na Visão de uma Mosca”, um penetrável monumental em formato de caracol, com cerca de 16 x 4 metros, construído e pintado ao longo de cinco dias e cinco noites no próprio Parque Lage. A obra propunha uma leitura fragmentada da paisagem urbana de Copacabana a partir de um ponto de vista não humano. A instalação integrou pintura, espaço e vídeo, em diálogo com ações do coletivo Rádio-Novela, do qual eu fazia parte, e foi registrada à época pelo Jornal do Brasil. Essa participação marcou minha estreia no circuito da arte brasileira e o início de uma trajetória artística que segue em desenvolvimento até hoje.

Mini Bio

Sergio Mauricio Manon é artista visual brasileiro, com atuação contínua desde os anos 1980. Sua produção articula pintura, desenho e textos a partir da observação da natureza, dos sistemas vivos e das formas de percepção. Nos últimos anos, desenvolve a série Jardim das Sinapses, na qual a noção de rede neural estrutura uma investigação pictórica sobre inteligência distribuída e comunicação entre organismos. Participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, com obras presentes em importantes coleções. Sua estreia no circuito da arte brasileira ocorreu na mostra “Como Vai Você, Geração 80?” (Parque Lage, 1984), marco histórico da arte contemporânea no país, onde apresentou a instalação “Copacabana na Visão de uma Mosca”, integrando pintura, espaço e vídeo. Paralelamente à prática artística, atua como curador institucional e editor de publicações fine art, tendo criado e dirigido a SANTA Art Magazine, premiada internacionalmente. É editor e curador da publicação Vagalumes 21 e foi responsável por exposições como “Máquina do Mundo” (Z42 Arte) e “Geração Digital” (Museu Nacional de Belas Artes). Sua trajetória se caracteriza pela integração entre obra, curadoria e edição, entendidas como campos complementares de uma mesma prática artística e cultural.

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manonsergiomauricio@gmail.com